Ecos no Maceté
No coração do sertão
Onde o chão rachado
Guarda histórias antigas
E o vento carrega memórias
Nesse bravo povoado
Nasceu o fogo da resistência
Aqui, homens e mulheres de mãos calejadas
E fé fincada no peito
Ergueram sua coragem
Contra a injustiça
Cruzavam as estradas secas
Como esperança viva
Veio então a República
Com promessas de mudança
Mas trouxe nos braços frios
O peso da dor e das cobranças
Com todo esse estopim
O sertão sofreu, sangrou
Com cada nova taxa
Era um golpe na dignidade
Do povo que lutava
Debaixo do sol ardente
Foi no Maceté
Que o fogo se acendeu
Aqui começou a chama
Da resistência sertaneja
Que antecedeu a batalha sangrenta
Tanta gente inocente tombou
Sonhos foram interrompidos
Pela violência dos poderosos
Que não compreenderam
A força da fé
Nem o grito do sertão baiano
E o pequeno Maceté Transformou-se em símbolo
De bravura e memória
Registado na história
Terra onde o povo canta
Mesmo depois da dor.
Onde a cultura floresce
Entre feiras, poesias, artesanato
E vozes
Que mantêm viva a chama da sua ancestralidade.
Mulheres guerreiras
Tecem saberes
Como quem borda esperança
Nas páginas do tempo
Guardando suas histórias
Porque o fogo do Maceté
Não virou cinza
Virou memória
Virou resistência
Virou canto
Virou poesia
E enquanto houver arte
Enquanto houver voz
Enquanto houver sertanejo
Contando sua própria arte
O Maceté continuará vivo
No coração do seu povo.
Hoje deixo minha rima
Como quem acende uma vela
Na imensidão da importante
Da luta e da memória
Para honrar os que lutaram
Os que tombaram
E os que seguem resistindo
Com dignidade, fé e cabeça bem erguida.
Rosileide Neves


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